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Cultivar nº 82 / Fevereiro 2006
Erro
e resistência
A elevação dos níveis populacionais de percevejos
e sua rápida colonização têm dificultado o
controle da praga. Além disso, a ocorrência de genótipos
resistentes, devido a erros nas aplicações de inseticidas,
também já se manifesta no campo
A
cultura da soja é atacada por insetos desde a emergência
das plantas até a fase de maturação. Inicialmente,
as pragas podem alimentar-se de sementes, raízes e de plântulas,
causando danos que acarretam reduções de população
de plantas ou desenvolvimento retardado da soja. Posteriormente, a cultura
é atacada por brocas e lagartas desfolhadoras até a floração.
Na fase reprodutiva, aparecem os percevejos sugadores que atacam os grãos.
Os percevejos são considerados uma das pragas de maior importância
para a cultura da soja, inclusive no Sul do Brasil. Por se alimentarem
diretamente dos grãos, causam problemas sérios à
soja, afetando a quantidade e a qualidade das sementes.
REGIONALIZAÇÃO
E COMPORTAMENTO
O
percevejo verde (N. viridula) é mais adaptado às regiões
frias do Brasil (região Sul), onde é abundante. Por outro
lado, o percevejo marrom (E. heros) é adaptado às regiões
quentes, sendo abundante do Norte do estado do Paraná ao Centro-Oeste
brasileiro, enquanto o percevejo verde pequeno (P. guildinii) tem ampla
distribuição, ocorrendo nas regiões produtoras de
soja do Sul, do Norte e do Nordeste do Brasil.
Eventualmente, no entanto, pode ocorrer variação de espécies
dentro de uma mesma região de um ano para o outro. Por exemplo,
em Cruz Alta (RS), a freqüência das espécies na safra
2003/04 registrou predominância do percevejo verde (N. viridula),
com 82% dos espécimes coletados, seguido do percevejo verde pequeno
(P. guildinii), com 15%, e do percevejo marrom (E. heros), com 3%; já
na safra 2004/05 o percevejo verde pequeno foi a espécie mais abundante,
com 85%, seguido do percevejo marrom com 10%, e do percevejo verde, com
5%. Por outro lado, na região Norte do Paraná, em Londrina
e municípios vizinhos, nessa mesma safra (2003/04), a população
de percevejos esteve composta especialmente por essas três espécies,
com a participação de 60% para E. heros, 24% e 14% para
P. guildinii e N. viridula, respectivamente, onde o percevejo barriga
verde (D. melacanthus) ocorreu em índices insignificantes de 2%.
Na safra seguinte, esta última espécie apresentou crescimento
populacional acentuado na cultura da soja, sendo já em alguns municípios
a segunda espécie mais abundante.
A colonização das plantas de soja pelos percevejos se inicia
em meados ou final do período vegetativo da cultura, ou durante
a floração (R1 a R2). Nesta época, os percevejos
estão saindo da diapausa ou de hospedeiros alternativos e migram
para a soja. A partir do aparecimento das vagens (R3), que é o
período de alerta, as populações desses insetos,
principalmente as ninfas, aumentam, podendo atingir níveis elevados
entre o final do desenvolvimento das vagens e o início do enchimento
dos grãos (R4 a R5), quando a soja é suscetível ao
ataque, e, por isso, esse período é chamado de crítico.
A população cresce até o final do enchimento de grãos
(R6), quando atinge o pico populacional máximo, normalmente com
a soja em maturação fisiológica (R7). A partir daí
a população tende a decrescer, e, na colheita (R8), os percevejos
remanescentes se dispersam para as plantas hospedeiras alternativas e,
mais tarde, para os nichos de diapausa (palhada), no caso do percevejo
marrom. O percevejo verde e o verde pequeno se abrigam em plantas hospedeiras
(mamona, mostarda, guandu e anileira no Paraná; e ervilhaca, nabo
forrageiro e tremoço no Rio Grande do Sul) onde permanecem até
iniciar o próximo ciclo, na safra seguinte. No Paraná, o
percevejo barriga-verde da soja passa para o milho safrinha e depois para
o trigo, onde pode causar sérios prejuízos durante o período
de outono-inverno.
PERCEVEJOS
E A FENOLOGIA DA SOJA
Embora
os percevejos adultos sejam os mais facilmente identificáveis na
cultura da soja, levantamentos têm mostrado que, durante o período
reprodutivo das plantas (floração à maturação),
a maioria da população daninha de percevejos (72 %) é
composta por formas jovens, ninfas de terceiro, quarto e quinto instares,
que causam à soja danos semelhantes aos causados pelos percevejos
adultos. Essa participação das ninfas pode ainda ser maior,
dependendo do estádio fenológico da soja, podendo chegar
a representar 83% dos percevejos presentes na soja durante a fase final
de enchimento de grãos (Figura 1), conforme resultados obtidos
na safra 2003/04, na região Norte do Paraná.
DANOS
E NÍVEL DE AÇÃO
A
tomada de decisão considera o potencial que os percevejos fitófagos
têm de causar danos na qualidade e na quantidade de grãos
da planta de soja.
As várias espécies de percevejos causam danos diferenciados
à soja, sendo o percevejo verde pequeno (P. guildinii) o mais prejudicial,
afetando tanto a quantidade quanto a qualidade dos grãos e originando
maior retenção foliar. Das três espécies principais,
o percevejo marrom (E. heros) é o que causa os menores danos à
soja.
Devido ao hábito alimentar, os percevejos causam sérios
problemas à soja, sendo seus danos irreversíveis a partir
de determinados níveis populacionais. Os grãos atacados
ficam menores, enrugados, chochos e com cor mais escura que o normal.
Podem apresentar doenças como a mancha-fermento, causada pelo fungo
Nematospora corily, o qual é transmitido durante a alimentação.
Nos ataques iniciais, entre o início e o final do desenvolvimento
das vagens (R3-R4), pode ocorrer abortamento desta estrutura da planta.
Além da redução na qualidade, na viabilidade e no
vigor, as sementes de soja danificadas por percevejos sofrem alterações
nos teores de proteína e de óleo. O ataque de percevejos
causa retardamento da maturação (retenção
foliar e haste verde), dificultando a colheita.
Durante o período crítico de ataque dos percevejos, entre
o início do desenvolvimento de vagens (R3) e o final do enchimento
de grãos (R6), é importante utilizar os níveis de
ação indicados pelas Comissões de Entomologia das
Reuniões de Pesquisa de Soja da Região Sul e Central do
Brasil para o Manejo Integrado de Pragas, sendo as medidas de controle
realizadas sempre que a população atingir dois (02) percevejos
e um (1) percevejo por metro de fileira, em campos de soja para a indústria
e produção de sementes, respectivamente.
Estudos recentes e em andamento estão sendo realizados em várias
instituições de pesquisa e em parceria com a assistência
técnica, buscando reavaliar os níveis de ação
recomendados pelo programa de manejo integrado de pragas, frente às
mudanças no sistema de produção, nas cultivares de
soja hoje semeadas e nas populações de percevejos, especialmente,
quanto à composição das espécies, aos níveis
de ocorrência e seus danos diferenciados. Embora a resposta da planta
de soja em relação aos danos dos percevejos seja variável
em função do estádio de desenvolvimento da planta,
sabe-se que para o período entre o desenvolvimento de vagens (R3)
e a maturação (R7), o dano cresce na seguinte ordem de importância:
o percevejo marrom, E. heros; o percevejo verde, N. viridula, e o percevejo
verde pequeno, P. guildinii.
Muitas vezes é comum, nos meses de novembro e dezembro, a ocorrência
de altas populações do percevejo verde pequeno (P. guildinii),
do percevejo marrom (E. heros) e do percevejo verde (N. viridula) na soja
em fase vegetativa ou em florescimento. Essas infestações
não causam danos significativos à soja, não havendo,
portanto, necessidade de controle nesse período inicial da cultura.
Da mesma forma em relação ao percevejo barriga verde (Dichelops
spp.), cujos danos não têm sido reproduzidos em estudos feitos
em condições de gaiola.
ALTERNATIVAS
DE CONTROLE
Vários
inseticidas são indicados para o controle dos percevejos pelas
Comissões de Entomologia das Reuniões Regionais de Pesquisa
de Soja do Brasil (Região Sul e Central). Além da eficiência,
o critério da seletividade, ou seja, o efeito do produto sobre
os inimigos naturais, o comportamento dos percevejos em relação
à época de plantio e ao ciclo da cultivar, a reação
diferencial dos percevejos aos inseticidas são muito importantes.
Naturalmente várias espécies de insetos benéficos
são encontradas nas lavouras de soja exercendo importante papel
na redução das populações dos percevejos.
Entre os parasitóides de ovos, as espécies Trissolcus basalis
e Telenomus podisi são as mais importantes, pela sua eficiência
e abundância, aliadas a moscas e outras vespas que parasitam os
percevejos adultos. Entretanto, a sensibilidade desses insetos benéficos
aos inseticidas é alta, sendo muitas vezes totalmente dizimados
das lavouras.
No período da colonização, quando as populações
de percevejos estão concentradas nas bordas da lavoura, uma estratégia
que pode ser usada para diminuir o impacto causado pelos inseticidas é
efetuar o controle somente nessas áreas marginais, evitando a dispersão
dos insetos para toda a lavoura e a mortalidade de inimigos naturais de
forma generalizada.
Outra estratégia é o controle biológico dos percevejos,
através da liberação dos parasitóides de ovos
T. basalis e T. podisi, para aumentar as populações desses
agentes biológicos nas lavouras, mantendo os percevejos abaixo
do nível de ação, durante o período crítico
de ataque. Esses parasitóides são multiplicados em laboratório
e liberados como adultos, na quantidade de 5 mil vespinhas/ha, ou como
ovos parasitados, em cartelas de papelão (três cartelas/ha),
devendo estas serem colocadas nas plantas de soja um ou dois dias antes
da emergência dos parasitóides. Recomenda-se, para melhor
eficiência de controle, que as vespinhas sejam liberadas no final
da floração, período em que os percevejos estão
iniciando a colonização e concentrados nas bordas das lavouras.
Pela capacidade de dispersão e suscetibilidade das vespinhas aos
inseticidas, o controle biológico dos percevejos, pela utilização
desses parasitóides de ovos, é preferencialmente recomendado
em grandes áreas contínuas (microbacias) ou em comunidades
de produtores. Nessas, a presença de vegetação é
fundamental para servir de refúgio e facilitar a preservação
e o restabelecimento do equilíbrio entre as pragas e seus inimigos
naturais.
Em geral, as cultivares semeados mais cedo ou as cultivares precoces escapam
dos danos dos percevejos. Estas cultivares, no entanto, são fontes
de abrigo, de alimentação e, principalmente, de reprodução
dos percevejos. Assim, ao se multiplicarem nestas cultivares, dispersam-se
para as cultivares tardias ou semeadas mais tarde, onde causam os maiores
prejuízos, pelas maiores concentrações desses insetos.
Como a época de semeadura influencia a dinâmica populacional
dos percevejos, devem-se evitar os plantios do cedo, ou os mais tardios
(meados de dezembro), onde ocorrem as maiores concentrações
desses insetos.
POPULAÇÕES
RESISTENTES
As
populações do complexo de percevejos têm ocorrido
em níveis elevados, tornando-se um grupo de difícil controle.
As dificuldades de controle devem-se, em alguns casos, à rápida
colonização de percevejos provenientes das áreas
já colhidas para as áreas com cultivares mais tardias e,
em outros, à seleção de genótipos resistentes.
Essas dificuldades têm sido mais freqüentes nos últimos
anos, aumentando-se o número das aplicações. No passado,
as falhas de controle de percevejos chegaram a ser atribuídas a
problemas de qualidade de alguns produtos. Mas tem sido constatado que
esses problemas podem ser devidos à seleção de genótipos
de percevejos resistentes a inseticidas. Ocorre resistência quando
a capacidade dos insetos para tolerar uma dose de inseticida é
maior que essa mesma capacidade em uma população normal.
Assim, têm sido detectados casos de resistência em populações
do percevejo marrom aos inseticidas organofosforados e ciclodienos, gerando
a necessidade de um monitoramento contínuo em diversas regiões
do Brasil. O aumento da freqüência de aplicações,
o reduzido espectro de produtos com diferentes modos de ação
e a antecipação ao momento de controle adequado são,
entre outros, fatores que propiciam a seleção desses genótipos
resistentes. Afortunadamente os casos de resistência são
localizados, mas demonstram o potencial que essas pragas apresentam e
também significam um alerta para propiciar o uso adequado dos produtos
químicos, conhecendo mais sobre aspectos de seletividade e seu
modo de ação. Se houver suspeita de casos de resistência,
o agricultor pode coletar percevejos (no mínimo cem indivíduos)
em uma gaiola bem arejada, evitando condições de estresse
(calor intenso, ventilação reduzida, umidade) e encaminhá-los
ao laboratório de entomologia da Embrapa Soja. Entre as medidas
preventivas que podem ser adotadas rapidamente na presença de possíveis
casos de resistência, estão as de seguir as recomendações
de controle dessas pragas, evitar o uso de inseticidas de amplo espectro
para o controle de pragas iniciais. Por exemplo, aplicações
destinadas ao controle da lagarta da soja podem ser realizadas com inseticidas
biológicos ou reguladores de crescimento, cujos modos de ação
são totalmente diferentes dos produtos utilizados para controle
de percevejos. Sempre realizar a rotação de produtos com
modo de ação diferente, no mesmo ciclo agrícola.
Aplicar somente nas áreas que apresentam a densidade da praga que
provoca dano econômico. Sempre levar um registro dos produtos, doses
e datas das aplicações, pois essas informações
podem ser úteis nos trabalhos de diagnóstico para determinar
se ocorre ou não resistência.
A capacidade das diferentes espécies de percevejos que atacam a
soja de reagir ao mesmo inseticida tem sido estudada nas condições
brasileiras. Segundo esses trabalhos, o percevejo verde (N. viridula)
é o mais sensível à ação dos inseticidas.
Na seqüência, por outro lado, têm-se o percevejo verde
pequeno (P. guildinii) e o percevejo marrom (E. heros) como os mais tolerantes
à ação dos inseticidas. Essa situação
tem que ser considerada quando na tomada de decisão da utilização
de inseticidas para o controle de percevejos em soja.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A
pulverização adequada de inseticidas envolvendo o momento
da aplicação, a dose e a reação diferenciada
dos percevejos da soja em relação aos inseticidas ou a um
mesmo inseticida é muito importante para o manejo desses insetos,
inclusive, para evitar a resistência dos percevejos a inseticidas.
Hoje, em alguns locais, é comum a ocorrência de populações
de percevejos resistentes aos inseticidas. Para que esses problemas não
sejam intensificados, recomenda-se que o mesmo inseticida não seja
utilizado na mesma área, repetidas vezes; que sejam usados inseticidas
eficientes para a espécie de percevejo predominante; e que não
sejam empregados inseticidas em doses menores ou maiores que aquelas pesquisadas
ou indicadas pelas Comissões de Entomologia ou aquelas registradas.
AMOSTRAGEM
Os
percevejos são monitorados através de amostragens com o
pano-de-batida. Indica-se bater as plantas em apenas um lado da fileira
numa extensão de 1 metro. Assim, evita-se a formação
do emaranhado de folhas, resultando maior extração dos percevejos
sobre o pano, em relação àquela obtida com o pano
batido em duas fileiras (= 2 metros de fileira). Em função
da agilidade e movimentação dos percevejos, as amostragens
devem ser realizadas, preferencialmente, nos períodos mais frescos,
pela manhã ou à tarde, facilitando a contagem dos insetos
deslocados para o pano. Considerando-se as populações de
percevejos presentes na cultura da soja, a grande participação
das ninfas, o menor deslocamento pela planta e o comportamento desses
insetos sugadores em buscar locais mais frescos, nos períodos mais
quentes do dia, a simples observação visual das plantas
não expressa a real população de percevejos presente
nas lavouras.
A vistoria na lavoura deve ser executada, no mínimo, uma vez por
semana, a partir do início do desenvolvimento de vagens (R3), na
chamada fase de “canivetinho”, até a maturação
fisiológica. O monitoramento deve ser intensificado nos períodos
mais críticos, ou quando ocorrer invasão de adultos provenientes
de cultivares de ciclo mais curto ou semeadas mais cedo, já em
fase de maturação ou colheita. Considerando a grande participação
das ninfas na composição da população de percevejos
daninhos à soja, nas amostragens, é importante identificar
as formas jovens dos percevejos (ninfas) as quais, a partir do 3º
instar, devem ser contadas e registradas junto com os adultos.
PRINCIPAIS
ESPÉCIES
As
espécies de percevejos mais abundantes em soja são o percevejo
verde, Nezara viridula; o marrom, Euschistus heros; e o verde pequeno,
Piezodorus guildinii, embora vários outros da família Pentatomidae
também possam estar presentes em menor freqüência.
Os ovos do percevejo verde (N. viridula) são depositados em massas,
geralmente na parte inferior das folhas, entre 80 e 120 ovos por massa,
em forma de hexágono, distribuídos em linhas retas, independente
do ângulo de observação. Eles apresentam forma cilíndrica
e cor amarelo palha. Da postura à eclosão decorrem cerca
de sete dias. A partir do 3º estádio, inicia o período
de alimentação, uma vez que o aparelho bucal já está
plenamente desenvolvido, medindo 3,4 mm de comprimento. Os danos causados
por ninfas de 5º estádio são de mesma intensidade que
os provocados por adultos, onde podem permanecer por 12 dias. Os adultos
medem 12 a 15 mm, podendo sobreviver aproximadamente 53 dias. Seu processo
de reprodução consiste de pré-cópula com duração
de 8 dias e de pré-oviposição ao redor de 16 dias.
O percevejo verde pequeno (P. guildinii) apresenta número médio
de ovos por massa de 15, ocorrendo a oviposição principalmente
nas vagens e, em menor proporção, nas folhas e haste. A
duração do período de ovo é de aproximadamente
7 dias, que são de cor preta, depositados em filas duplas, apresentando
a forma de um barril, com a presença de uma pilosidade na extremidade
superior. Os cinco estádios de ninfa, ocorrem em aproximadamente
32 dias. O adulto, 10 a 12mm, é verde brilhante e no final desta
fase sofre uma descoloração, tendendo para o amarelo pálido.
A longevidade dos adultos gira em torno de 54 dias (fêmea). Distingue-se
do percevejo verde pela presença de uma mancha na base do pronoto,
a qual pode apresentar colorações pretas, marrons ou avermelhadas.
Em média cada fêmea oviposita três massas durante sua
vida, sendo o período de pré-cópula ao redor de 8
dias e de pré-oviposição de 22 dias.
Os ovos do percevejo marrom (E. heros) são depositados em pequenas
massas, com 1 a 10 ovos/postura. Apresentam forma cilíndrica e
cor bege. O período de ovo é de aproximadamente 6 dias.
As ninfas são claras, logo após a eclosão, e permanecem
reunidas próximo à postura, a exemplo das duas espécies
relatadas anteriormente. A passagem pelos quatro estádios de ninfa
leva cerca de 25 dias. Já os adultos medem ao redor de 15 mm de
comprimento, apresentando expansões laterais do pronoto em formato
de espinhos e uma mancha circular bege na ponta do escutelo. A longevidade
dos adultos é de cerca de 117 dias. Os períodos de pré-copula
e de pré-oviposição têm duração
aproximada de 10 e 13 dias, respectivamente.
As principais espécies de percevejos, que ocorrem em soja, apresentam
o tempo de desenvolvimento (ovo a adulto) de 41,4 dias (N. viridula);
31,3 dias (E. heros) e de 27,9 dias (P. guildinii); com fecundidades médias
de 150, 167 e 123 ovos/fêmea, respectivamente.
Várias outras espécies participam do complexo de percevejos
sugadores de grãos, mas presentes em menor abundâncias nas
lavouras de soja. Formas jovens e adultas alimentam-se igualmente das
vagens, atingindo diretamente os grãos de soja, causam prejuízos
semelhantes às espécies principais. Nesse grupo destaca-se
o percevejo barriga-verde Dichelops melacanthus e D. furcatus, Edessa
meditabunda, Thyanta perditor e Acrosternum sp..
Mauro Tadeu Braga da Silva
Fundacep
Beatriz S. Corrêa-Ferreira e
Daniel Ricardo Sosa-Gómez,
Embrapa Soja
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